Segunda-feira 15 Setembro 2014

ZABA


Desde 2013 os Glass Animals adquiriram  o selo de banda a ter debaixo de olho. Portadores de uma pop fresca, suave mas nem por isso demasiado delicada, são capazes de trabalhar desde o R&B (q.b.) ao Indie ou de cruzar as batidas tropicais com o lado negro e nervoso, quase a tocar o Pós-Dubstep. São uma bomba de ideia catapultadas por sentimentos de atracção, sedução, romance e sensualidade, capazes de fazer dançar os corpos mais enferrujados ao mesmo tempo que nos envolve em ambientes densos, poderosos que atingem a melancolia no ponto certo. É um álbum que deixa relaxar sem cansar e é como estar a flutuar num gigante túnel de cor e emoções. Música para gente apaixonada, mas que dança as suas tristezas. Se há álbum para fechar os olhos e deixar o corpo balançar, está aqui. O álbum abre com batidas poderosas, quase a lembrar o universo Trip-Hop, mas cedo se agarram a uma voz triunfante e amistosa que nos conduz até ao final. Os instrumentais primem-nos ao desejo de abraçar alguém, de sentir corpos ao mesmo tempo que a nossa alma parece pensar nas maiores aventuras narradas pelos vocais. Chet Faker, tens aqui um adversário! Diria que o tacto é o sentido mais evidenciado neste álbum. Tudo se sente, tudo é uma experiência que atinge tais níveis em “Flip” que quando dá-mos por ela estamos a deparar-nos com um sample que quase parece saído dos Beatles. Segue-se o toque mágico de “Black Mambo” que não estranhava se um dia a fosse ouvir num álbum de Alt-J. “Pools” , são The XX a fazer uma festa por finalmente conseguirem o tão pretendido amor que procuram e foram encontrar nos braços dos ritmos selvagens de África ou dos trópicos. O êxtase quase selvagem e exótico com que tratam os seus ritmos, embelezam todo o álbum. “Walla Walla” confirma isso e pede ainda mais do nosso corpo; os Cut Copy sentir-se-iam orgulhosos. Para trás ficou a sonhadora “Gooey” mas nesta altura a ordem é para saltar e espalhar a euforia. A resposta não se faz esperar. “Hazey” é o maior exemplo de como sabem ser sensuais ao nível do melhor R&B, mas sobretudo de como esta banda é rica na sua composição, Todo o álbum transporta-nos para um mar de ideias e momentos diferentes. “Toes” é a maior confissão de intenções. Glass Animals mandam amar, só temos de aceitar. Em “Wyrd”, desafia mais uma vez os XX e arranca para uma sedutora conquista que termina em “Cocoa Hooves”, o mais perfeito jantar romântico que o ouvinte pode imaginar. Para acabar “Jdnt”, tema que nos faz pensar por onde andam Jai Paul e Jamie Woon, nesta altura. Zaba é o perfeito reino da sensualidade. Uma ilha paradisíaca de amores e desejos escondidos, que comunica com o ouvinte de uma forma sólida e cativante. A produção é incrível. As faixas são ricas, compactas, tudo parece estar no sitio e sobretudo respiram muito bem, não se tornam chatas e levam um tratamento que permite que todas as faixas se liguem umas às outras, como se de um livro se tratasse. Do melhor Indie que se fez nos últimos anos, com detalhes de Alt-J, XX, Wild Beasts ou até Chet Faker. Acredito que rapidamente vá cair no gosto dos portugueses.

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