Quinta-feira 30 Janeiro 2014

You Can’t Win, Charlie Brown


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 Os You Can’t Win, Charlie Brown são, sem dúvida alguma, uma das bandas nacionais mais excitantes da actualidade. Com a sua mistura de folk e electrónica, foram amplamente elogiados pela crítica e público aquando da edição do álbum de estreia “Chromatic”. De regresso aos discos com “Diffraction/Refraction”, o sexteto lisboeta mostra-se cada vez mais coeso, pronto a entrar em mais uma aventura. O Tympanum esteve à conversa com o grupo, mais especificamente com Afonso Cabral, o vocalista. 

Antes de mais, como correu o vosso concerto de apresentação no CCB?

Afonso Cabral: “Correu muito bem. Acho que dificilmente poderia ter corrido melhor, pois estivemos à altura, havia muita gente, a sala era incrível e houve igualmente um bom trabalho de toda a equipa, principalmente a nível de luzes (a cargo do João Paulo Feliciano), o que até a nós nos surpreendeu pela positiva.”

Vamos agora falar da vossa nova proposta, intitulada “Diffraction/Refraction”. Tratando-se do segundo álbum de originais, sentiram alguma pressão quando o compuseram, sobretudo tendo em conta que o disco anterior foi bem recebido?

AC: “A existir pressão acho que veio mais de nós próprios. Tínhamos uma referência, o “Chromatic”, e sabíamos que tínhamos que crescer a partir dali. É claro que tínhamos noção que agora o público nos ia olhar com outros olhos, para ver se éramos capazes de dar continuidade ao nosso disco anterior, mas acho que tivemos confiança suficiente em nós próprios. Sabíamos que se estivéssemos satisfeitos com o nosso trabalho, as coisas iriam correr bem.”

Na minha opinião, “Diffraction/Refraction” é a vossa obra mais coesa até agora, soando como se cada elemento tivesse entendido a sua função na banda e contribuído para a criação de uma identidade musical bem definida. Também é assim que o vêem?

AC: “Sim. Acho que sentimos isso durante o processo e, felizmente, acho que ficou bem registado no disco.”

Outro aspecto que me chamou a atenção foi o nome do disco. Em “Diffraction/Refraction”, existe algum conceito específico?

AC: “O nome do disco surgiu depois de vermos a capa. Foi intencional, já sabíamos que queríamos primeiro ver como é que ia ser a “cara do bebé” antes de lhe dar um nome. Acabou por ser um processo engraçado, porque a capa foi uma junção dos esforços de três pessoas: o Pedro Gaspar (designer que trabalha connosco desde o início), João Paulo Feliciano (da Pataca, a editora) e o Rui Toscano (artista plástico, autor das obras que estão na capa do disco). Eles os três trabalharam em conjunto para chegar à capa final.”

Notei também que a capa é muito mais minimalista que a do “Chromatic”. Foi uma decisão consciente? Se sim, o que vos levou a optar por uma maior simplicidade?

AC: “Quando falamos com o Pedro para ele trabalhar na capa, dissemos-lhe pouca coisa. A única coisa que indicamos, se bem me lembro, era precisamente que queríamos algo mais despido do que o “Chromatic”. Pareceu-nos um caminho natural a seguir, tendo em conta o disco em que estávamos a trabalhar. Por outras palavras, uma obra mais focada, com menos preocupação em tentar preencher todos os cantinhos livres.”

Como funciona o processo de composição? Partem de uma base instrumental ou as letras vêm primeiro?

AC: “Regra geral há sempre uma ideia melódica ou instrumental que vem primeiro, só depois é que trabalhamos as letras. Acho que para este disco foi o caso para todas.”

Nunca é fácil conjugar as ideias que surgem numa banda, muito menos numa com seis elementos. Na vossa opinião, para haver um bom entendimento, como deve ser a natureza da relação? Acham que esta tem que ultrapassar a fronteira musical e ter como base uma forte amizade?

AC: “No nosso caso existiu sempre uma forte amizade entre todos, portanto nunca houve sequer necessidade de ultrapassar essa tal barreira. Acho que é um factor importante que depois passa para a nossa música, talvez até mais ao vivo do que em disco. Não sei se seríamos capazes de continuar com os YCWCB se não fosse assim.”

De todos os concertos que deram, qual destacariam? Por exemplo, já actuaram no South by Southwest, o que deve ter sido muito especial.

AC: “Os concertos no SXSW foram, de facto, muito especiais, mas acho que aquele que demos no Cinema São Jorge antes de ir para lá foi ainda mais, porque sentimos um enorme apoio de toda a gente no público, estavam ali todos connosco a empurra-nos para o outro lado do atlântico, foi uma sensação única. Também não posso de deixar de referir o nosso último concerto no CCB, foi muito especial também.”

Já anunciaram mais algumas datas, incluindo uma temporada em Março no Musicbox, em Lisboa. Pretendem passar o ano de 2014 na estrada ou os vossos planos vão mais além?

AC: “Para já a ideia é tocar o disco novo. Ainda não temos muitas datas confirmadas, mas, se tudo correr bem, teremos mais umas coisas a anunciar num futuro não muito distante. De resto, se o tempo nos permitir podemos começar a pensar em mais qualquer coisa.”

Para finalizar, há alguma banda, nacional ou internacional que considerem ser merecedora da nossa atenção?

AC: “Há várias, com certeza, mas assim de repente tenho que falar no Bruno Pernadas, que vai lançar o primeiro disco dele a solo em Março. Já tive o prazer de o ouvir e tenho a dizer que vale mesmo a pena.”

Um muito obrigada aos YCWCB pela disponibilidade e à Vera Marmelo pela cedência das fotografias.

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http://www.youcantwincharliebrown.com/