Segunda-feira 22 Agosto 2016

Vagos Metal Fest


Concerto: Vagos Metal Fest
Data: 13 e 14 de Agosto
Local: Quinta do Ega, Vagos

A Vagos o que é de Vagos.

Quando a comunidade metaleira recebeu a notícia que o Vagos Open Air já não seria realizado na simpática terra que lhe tinha dado o nome e tão bem o tinha acarinhado na sua génese, parecia que o pior dos pesadelos descritos em tantos temas de tantas bandas pesadas se tinha materializado e destruído todas as expectativas para um saudoso reencontro no Verão de 2016.

Houve muitas injúrias, muitos lamentos de Norte a Sul, busca de respostas e provavelmente algumas lágrimas até, pois, como bons portugueses que somos, somos agarrados a conceitos sentimentalistas como saudade e tradição e pensar que este ano esta peregrinação recheada de reencontros não se iria concretizar no local que lhe fora destinado, seria algo blasfemo até.

Por isso dá para imaginar o sorriso de orelha a orelha quando se viu em poucos meses este festival renascer das cinzas pelas mãos de alguns malucos em conluio com o Município de Vagos os quais com calma e pequenos passos conseguiram a tarefa hercúlea de erigirem o Vagos Metal Fest , no local onde tinha que ser, porque já é tradição, já é hábito a Vila assim o quer, os metaleiros assim o querem, até o Belzebu quer, e assim o Homem sonhou e a obra nasceu.

O que se retira de positivo de todo o drama; agora os metaleiros possuem dois locais de peregrinação, dois destinos para o bailarico pesado, tendo dinheiro no bolso e oportunidade podem continuar a ir ao VOA e continuar com o ritual anual e ir ao Vagos, todos saímos a ganhar.

É óbvio que há arestas a limar, que há coisas a modificar ou melhorar, mas foi impressionante para todos o facto de como um festival desta dimensão organizado em poucos meses tivesse um resultado tão positivo, com uma afluência de cerca de 10 mil pessoas, com um cartaz muito povoado pelo melhor que faz no alternativo nacional.

Uma das razões foi quase como um espírito de missão, do “que sa f&$#a”, do “tenho de ir lá, tenho de apoiar, tenho de estar lá” do público que respondeu à chamada. Sentia-se a importância de pertencer, de dar força e alento a esta organização para que a chama não se apague.

Outra das razões foi a associação harmoniosa entre a promotora Amazing Events e o Município de Vagos, que já não se consegue ver sem a invasão negra de Agosto, que tanto movimento traz à vila. Esta associação de esforços e de interesses, sempre atenta e sempre escutando os palpites do público, algo que faz questão de continuar a fazer, já anunciou em conferência de imprensa que o Vagos Metal Fest vai voltar no próximo ano e Vagos continuará a vestir a camisola do metal e a mudar mentalidades.

O cartaz foi heterogéneo nos géneros que percorreu, Black, Stoner, Punk, Power, tentanto agradar a todos os gostos, mas houve uma forte aposta nos projectos nacionais (algo a manter), projectos que foram até cabeças de cartaz. Trouxeram os pesos pesados do alternativo português Moonspell, RAMP, Bizarra Locomotiva, Heavenwood bem como os algo estreantes Correia e Godvlad. Como bandas portuguesas que são só há uma palavra que as define; entrega, e foi o que se presenciou nestes dois dias uma entrega de parte a parte, das bandas e do público que correspondeu muito bem ao sabor lusitano deste lineup.

Apesar do pouco tempo de manobra, imagino que não deve ter sido fácil pois muitas bandas já estariam decerto agenciadas com tours marcadas, fomos presenteados com dois projectos com certo peso e história nos gostos do público como Dark Funeral e Helloween, os primeiros com toda a ambiência lúgubre e mística característica do Black Metal a acompanhar a gélida noite do primeiro dia e os segundos com toda a energia, força e alegria do Power Metal que elevaram Vagos às estrelas.

Betraying the Martyrs surprenderam pela garra e pelo poderoso som de dualidade voz limpa /voz gutural de Victor eAaron, conquistando o público ao primeiro mosh pit e wall of death proporcionados. De destacar a “doce” versão do tema de Frozen, que agradou decerto à população infantil que já se faz destacar em número neste festival.

Vektor trouxe um som potente quase sem interrupções com um thrash que rapidamente foi responsável pelo aumento de trabalho dos seguranças no embalo dos moshers e pela poeira sentida no ar.

Fleshgod Apocalypse introduziram o misticismo no festival, com trajes barrocos e toda uma envolvência de uma opereta italiana percorrida por um som destrutivo, só foi pena o som não estar na sua melhor qualidade para que o concerto fosse perfeito.

Tribulation foram uma agradável surpresa tanto sonora como visual e até mesmo olfactiva devido ao cheiro do incenso que perdurava no ar. O guitarrista Jonathan Hultén, figura andrógena possuido seja por que divindade maléfica fosse, não parou um minuto em palco contorcendo-se em esgares loucos em cada acorde tocado, levando a que todos ficassemos hipnotizados a escutar Children of the Night.

Rumando a outro estilo vieram os veteranos Discharge a representar e bem o Punk de som pesado e cru potenciador de “rodas” à antiga onde ninguém ficou parado nem indiferente. A anarquia desejada instalou-se com a grande performance e entrega da banda e com a rápida resposta do público a levantar mais uma vez a névoa de poeira.

Os duendezinhos Finntroll trazem sempre consigo uma festa animada pelo seu competente Folk Metal, deram o mote para que a celebração começasse preparando-nos para Helloween.

Os Helloween percorreram toda a sua carreira, dos temas mais antigos aos mais recentes, sempre com o público a cantar em uníssono de tal forma que o vocalista Andi Deris se mostrava surpreendido, mas mesmo assim puxava e provocava continuadamente perguntando “Are you still up and running?”.

Foi com contentamento que eu e muitos outros testemunhamos este renascer das cinzas de Vagos e resta esperar pelas surpresas do próximo ano, pois esta certeza temos; o Vagos em Vagos vai continuar!

Fotos do dia 1: Aqui

Fotos do dia 2: Aqui