Segunda-feira 13 Março 2017

TOY + Toulouse


Concerto: Toy
Data: 08/03/2017
Local: HardClub, Porto

Quase dois anos depois da última e atribulada passagem pelo norte de Portugal, os Toy regressaram ao Hardclub, desta vez sem qualquer problema com as viagens de avião e com as promessas vimaranenses Toulouse na primeira parte. Diga-se que o quarteto conseguiu com eficácia aquecer a sala enquanto esta esperava pelo Shoegaze mais psicadélico dos britânicos. São uma banda que demonstra uma capacidade inapta para criar grandes músicas indie. Músicas de sabor jovem, cheio de sonhos e de emoções, estes são os Toulouse, uma banda que tem no futuro uma janela muito grande, mas que ainda está a alguns metros de distância desse ponto, o que não é nada preocupante dado a juventude da banda, são um caso sério já para os próximos anos ao já não tivessem faixas como “Juniper”, música que encerrou o concerto.

Um tema brilhante, que mostra na perfeição onde está a banda nesta altura, porque se é verdade que talvez seja uma das melhores canções nacionais dos últimos cinco anos também é verdade que poucas outras ainda atingiram esse estatuto, necessitando assim de maturação. Contudo o quarteto só nos deus sorrisos nesta exibição, “Juniper”, “Toten” e “Battery” são fantásticos, colocam-nos a querer ouvir mais, puxam o sorriso, e trazem para palco aquela frescura e garra que gostamos de ver em bandas que estão a escalar. Temos futuro, e vemos isso quando a própria banda principal preocupa-se em felicitar da maneira que os Toy fizeram. Contudo agora era tempo dos pesos pesados, ao terceiro registo, os Toy já se podem considerar uma das bandas fundamentais de um novo movimento Shoegaze, bastante psicadélico, negro e distorcido, tocado rápido e preocupado em nos dar músculo e “aquela chapada na cara” em certos momentos. E assim foi logo a arrancar com “Fall Out The Love”. Fomos atropelados durante dez minutos por uma sensacional onda de distorção e reverberação bem pesada e oleada, são uma banda que mostra logo de início quem são e quantos quilómetros já levam de palco. Deambular-se, esfomeados por dar um grande concerto. A procurar as colunas para ainda causar mais distorção e foi assim em grande parte do concertos. No entanto a segunda música acalmaram um pouco, “I’m Still Believing” é o novo single da banda é uma excelente canção para se tocar ao vivo, tem aquele refrão que conseguiu por o público a cantar e a mostrar os seus melhores passos de dança. Anoite contudo não era de dança, era de outros movimentos mais deambulatórios e minimalistas, por isso a banda voltou a carregar no acelerador e de que forma n a gigante “Kopler”.

Estavamos perante uma locomotiva indie pronta a nos fazer viajar pelas ondas ruidosas que pojectavam. Estava prometido um grande concerto, percebemos cedo. Para meio de concerto a banda apresentou “Clear Shot”, outro grande momento da noite, se não o maior, com mais uma tareia de guitarras bem musculadas, seguindo-se pouco depois a maior ovação com “Left Myself Behind” e “Motoring” a dar por fim uma sequência pesada, suja, bem distorcida, do bom Shoegaze que por aí anda. Apresentam uma excelente marca em palco mas a verdade é que na segunda metade do concerto já se começa a sentir aquela que já é uma imagem de marca nos concertos destes ingleses. A qualidade de som foi-se dissipando, as texturas que notávamos anteriormente agora estavam mais esbatidas, o ruído e o volume começaram a ultrapassar a nitidez e com isso um menor interesse. Nada que a postura da banda não desmarcasse e nos fizesse deixar para la, a verdade é que mesmo com uma setlist mais interessante a segunda parte do concerto não entusiasmava tanto como a primeira, mas isso são contas que são facilmente esquecidas quando bandas como Toy, apresentam um final de concerto com a intensidade sonora, luminosa e de presença que nos ofereceram em “Join the Dots”, foi possivelmente o momento em que a locomotiva mais se sentiu a atravessar os nossos corpos, foi duro, intenso, ensurdecedor e fascinante e colocou o público entusiasmado e a pedir um regresso não muito normal da banda em palco. Os próprios confessaram não ser muito disso mas a verdade é que gostaram tanto do concerto e do público que o regresso era esperado e só fazia sentido. São uma banda com uma dinâmica imenso em palco, que batalha com o instrumento, no bom sentido da frase, que procura a rigidez, a garra, que nos leva a balançar a cabeça e anos entregar ao som. Em muitos momentos foi mesmo magia.