Sexta-feira 26 Agosto 2016

Sonic Blast – Dia 2


Festival: Sonic Blast – Dia 2
Data: 13/08
Local: Moledo

O último dia do Sonic Blast foi aquele que, para muitos, ofereceu os melhores concertos. Na zona da piscina, os Chachemira, trio de Barcelona, animaram os presentes com o seu stoner recheado de excelentes solos de guitarra e vozes roucas que trouxeram à memória o mítico Lemmy Kilmister. Contudo, a actuação da tarde mais memorável foi protagonizada pelos Suecos Spelljammer, que assinaram uma brutalíssima sessão de stoner/doom, bem ao estilo dos Electric Wizard, onde o peso dos riffs arrastados puniram os nossos tímpanos e criaram uma esmagadora parede de som. Já os vianenses Vircator mostraram necessitar de mais tempo e experiência para atingirem todo o potencial que têm como banda; no entanto, aparentam encontrar-se no caminho certo para levarem o seu post-rock com referências stoner a bom porto.
No palco principal, os The Black Wizards protagonizaram uma actuação cheia de garra e energia, provando que são uma das mais excitantes bandas do actual panorama nacional. Nota-se que a estrada lhes tem feito bem e que têm cada vez mais confiança em palco, além de que a qualidade das composições se revela impressionante, sobretudo se tivermos em conta que estamos perante músicos bastante novos. Destaque também para o carisma exibido pela vocalista/guitarrista Joana Brito e para o solo de bateria de Helena Peixoto.  Com uma prestação deste nível, só nos resta dar-lhes os parabéns e continuar a apoiá-los.
E o que dizer dos Killimanjaro? Por mais vezes que vejamos a banda barcelense, o encanto nunca desaparece, muito por culpa das incríveis malhas de garage/stoner de sentimento punk que o grupo já se tornou especialista em criar. Efectivamente, temas como “ December”, “Howling” ou “New Tricks, Old Dog” constituem receitas infalíveis para concertos épicos, e é precisamente isso que o trio proporciona sempre que sobe a um palco, parecendo nunca falhar a missão.
Depois de terem estado no Reverence Valada, os ucranianos Stoned Jesus regressaram ao nosso país para oferecer uma agradável sessão de stoner temperado com influências psicadélicas, numa sonoridade que tanto assume uma postura rockeira, como explora territórios maravilhosamente cósmicos. O ponto alto teve lugar, como já se esperava, quando interpretaram” I’m The Mountain” com o público a cantar em uníssono.
A actuação dos britânicos Uncle Acid & the Deadbeats pode muito bem ser descrita como mágica. Apesar de alguns problemas técnicos iniciais que foram eventualmente resolvidos – ou pelo menos, minimizados – o grupo não deixou de nos maravilhar com as suas obscuras composições onde a era psicadélica dos Beatles se une ao peso dos riffs e à atmosfera negra dos Black Sabbath. Por entre malhas como “ 13 Candles” ou “ The Night Creeper”, o quarteto manteve-se sempre com uma pose algo introvertida mas ainda assim comunicativa, deixando que o poder dos temas envolvesse a audiência… e foi precisamente isso que aconteceu. Um retorno triunfal.
Muito aguardados pelo público do Sonic Blast, os suecos Truckfighters chegaram para celebrar como se não houvesse amanhã. Se com os Valient Thorr, tivemos na figura de Valient Himself o rei da festa, aqui foi Niklas  Källgren, o guitarrista, a fonte de animação imparável. O homem correu, pontapeou o ar, interagiu com os presentes – tudo o que fosse necessário para tornar a noite inesquecível. A despedida com “Desert Cruiser ” fechou com chave de ouro este inspirado regresso.
O festival terminou da melhor forma possível com a autêntica revelação que foram os suecos Salem‘s  Pot. Todos os elementos usavam máscaras grotescas, havia projecções, enquanto que do palco saía um envolvente doom com pitadas de stoner e pequenas viagens electrónicas… quase que faltam as palavras para descrever tudo o que este espectáculo nos fez sentir, mas acreditem que foi fabuloso, misterioso, surreal… podíamos adjectivar eternamente, mas fica a ideia: este foi um dos concertos do ano.

Fotos – Dia 2
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