Sexta-feira 08 Abril 2016

Sirumba


A juventude sónica está de volta. Desta feita, com o intitulado álbum, Sirumba. E já lá se foram dez anos, com vários registos discográficos de sucesso, desde Olhos de Mongol, primeiro álbum de 2006 ao último registo, Turbo Lento (2013).
Os Linda Martini, são sem dúvida a banda fenómeno da última década da cena portuguesa.
Sirumba é o último passo dado e nome escolhido para a primeira do disco. Este soa, de facto, a um jogo de polícias e ladrões, com crescendos e decrescendos constantes com mensagens bem marcantes para nos atirar de cabeça para o que aí vem.
Unicórnio De Sta. Engrácia, música que já tinha sido lançada previamente como single/videoclip. Tenho que admitir que quando a ouvi pensei que iríamos estar perante numa mudança de sonoridade mais brusca na banda. Especialmente no refrão, a música apresenta-nos um lado mais popular, menos agitado, mais directo ao assunto em todos os sentidos. Mas não, representa de certa forma o fim do jogo da apanhada que vinha detrás e deixa-nos em ” Preguiça”. Tal como indica, esta embebeda-nos em melancolia, com guitarras doces embutidas num ritmo embalante, porém com passagens desconcertantes e sobretudo mensagens concretas.
Putos Bons, desperta-nos para algo de um passado mais recente da banda, com batidas que nos fazem abanar o corpo, laivos distorcidos de guitarra e acordes poderosos a espaços de baixo. Apesar da temática se enquadrar perfeitamente, parece-me ser a música mais isolada do registo.
A partir daqui, começa, a meu ver, o novo lado dos Linda Martini. Embutidos num ritmo mais pausado, maduro, abordando temáticas como a morte, novas vidas, amor, emprego e estados de alma. Bom Partido, Farda Limpa, Comer por dois e para finalizar O dia em que a música morreu representam exactamente isso e reflectem o que de melhor este álbum nos tem para oferecer.
Podemos de certa forma concluir, que este longo percurso se fez lado a lado com os seus fãs.
Pelo que, estes foram crescendo desde os primórdios, alguns dos quais inclusive não simpatizaram com mudanças que foram surgindo na sonoridade que realmente era bastante mais agressiva inicialmente mesmo em músicas com temas bem intimistas como Amor Combate e O amor é não haver polícia.
Outros apareceram já a meio da viagem, com álbuns como Casa Ocupada e mais recentemente Turbo Lento. Mesmo assim, muitos fizeram questão de revisitar o passado, directa e indirectamente. Isso representa de facto a grande vitória dos Linda Martini e faz com que se criem chavões como ”banda de culto”.
Num olhar mais atento percebemos rapidamente que à juventude de outrora se foram juntando outros tipos de público, ouvintes ou não de música portuguesa, que os viram ao vivo, em vários formatos, porque de facto a energia em palco é contagiante mas ao mesmo tempo expõe-se a uma intimidade em certa medida desconcertante. Bom regresso para os Linda Martini, resta agora esperar para ver o que este Verão nos reserva e que rumo o projecto tomará.