Sábado 11 Outubro 2014

Sequin


SEQUIN-PR3_Ana Manuel

Sequin é Ana Miró, uma jovem eborense que se transformou na coqueluche da actual pop feita em Portugal. Armada com o disco de estreia intitulado “Penélope”, com edição via Lovers & Lollypops, a talentosa artista tem viajado  por todo o país, promovendo a sua música onde a pop abraça a electrónica  criando uma sonoridade que tanto apela à dança, como ao sentimento. Para melhor conhecer a autora de um dos melhores discos nacionais deste ano,  fomos conversar com Ana, que nos explicou melhor o seu percurso e até onde quer chegar.

Jorge Alves: Em primeiro lugar, sei que deves estar cansada de responder a esta questão, mas de forma a contextualizar os leitores, podias falar brevemente sobre o teu percurso no mundo da música? A maior parte das pessoas conheceram-te através do projecto Jibóia, mas sei que já tinhas alguma experiência antes de colaborares com o Óscar Silva…

Ana Miró: Comecei a interessar-me pela música muito cedo. Estudei música desde a primária, e mais tarde, na adolescência descobri o gosto por cantar, e tive algumas bandas. Entretanto mais recentemente tive o convite do Oscar para participar como convidada em Jibóia, e foi uma experiência diferente e agradável, visto sermos amigos há alguns anos, e que me despertou para o facto de ser possível fazer música sozinho. Inspirou-me bastante e decidi experimentar. O resultado é este projecto a solo, Sequin.

JA: “Penelope” é o título do teu primeiro disco e uma referência à esposa de Ulisses, que esperou vários anos que o marido regressasse da Guerra de Tróia. Relacionas-te com a personagem, ou seja, sentes que partilhas a atitude perseverante?

AM: Completamente, foi mesmo por essa razão que escolhi este nome para o albúm, porque reflete a minha perseverança na música, ao longo dos anos.

JA: Na minha opinião, existe na tua música uma panóplia de emoções: as composições são agradáveis, permitem-nos dançar, mas também conseguem ser intimistas e até melancólicas. Concordas com esta interpretação?

AM: Claro que sim. A minha música tenta apelar aos sentidos e aos sentimentos, não de forma propositada, mas sinto que há vários estados emocionais pelos quais passamos que devem ser relembrados, sejam eles momentos de alegria, tristeza, melancolia, etc, e para mim a música é a melhor forma de guardar esses momentos. É uma forma de catarse.

JA: Li que nutres um fascínio pela cultura do Oriente. Aliás, em “ Penelope” essa influência é notória, através de músicas com títulos como “Beijing”, “Origami Boy”, “Hikaru Garden” ou “ Peony”. Como surgiu esse interesse?

AM: Foi por acaso. Sempre gostei e me fascinaram muito as culturas orientais, mas o recurso a essa imagética e temática no meu albúm foi mesmo mero acaso. Achei que me ajudaria a fugir às sonoridades a que estava habituada, e então tentei sempre ir por caminhos sonoros mais exóticos. Acabou por fazer tudo parte deste mundo de Sequin, que se foi construindo á volta destas ideias.

JA: A tua editora é aLovers & Lollypops. Foi a tua primeira opção?

AM: Não foi a primeira opção, mas foi sem dúvida a opção mais acertada. Estar numa editora pequena, inovadora, que é quase uma família ou um grande grupo de amigos, onde tens espaço para sugerir foi o que mais me aliciou a trabalhar com a Lovers, e até agora está a correr lindamente!

JA: Tens marcado presença em vários festivais de Verão, como o Milhões de Festa, Paredes de Coura ou o Fusing Culture Experience, na Figueira da Foz. Há algum que seja particularmente especial, no sentido de teres ido a edições passadas como espectadora e sempre quereres pisar o palco?

AM: Adorei todos os concertos que dei este verão, foi muito bom poder tocar por todo o pais e mostrar a minha música a mais pessoas. Não estava nas minhas expectativas que isso acontecesse, mas aconteceu e estou grata por isso! O concerto que guardo melhores recordações foi sem dúvida o do Paredes de Coura, visto ser um festival que praticamente desconhecia, e pelo facto de o público ter sido excepcional recebi tanto amor que estive quase a desfazer-me em lágrimas. Foi muito bonito!

JA: No teu tempo livre, o que gostas mais de fazer? Ou seja, para a Ana Miró, como é um dia perfeito?

AM: Há vários tipos de dias perfeitos para mim. Há aqueles que são perfeitos porque posso usufruir da companhia dos meus amigos e da minha família, outros porque posso simplesmente viajar e tocar para pessoas novas, outros em que são simplesmente perfeitos porque posso descansar, ficar em casa, ver um filme e relaxar.

JA: Quais são as tuas maiores influências a nível musical? E com quem sonhas partilhar um palco?

AM: São várias as minhas influências. Posso dizer que o que estou a ouvir agora e me tem influenciado bastante tem sido: James Blake, Jessy Lanza, Kelela, FKA Twigs… Não é a primeira vez que me perguntam com quem gostaria de partilhar um palco, mas sinceramente eu nunca tinha pensado nisso até que me fizeram a pergunta, acho que  partilhar o palco com qualquer um dos meus músicos favoritos que enumerei em cima seria definitivamente um sonho.

JA: Costumas prestar atenção a novas bandas? Há alguma que nos possas recomendar?

AM: As acima referidas, sem dúvida. E mais recentemente descobri Zombie Zombie, que é muito bom!

JA: Que planos tens para o futuro?

AM: Continuar a fazer muita música! Só isso já era um futuro brilhante!

SEQUIN-PR1_Ana Manuel

Um muito obrigada à Ana Miró pela disponibilidade.

Sites Oficiais:
https://pt-pt.facebook.com/sequinmusic