Terça-feira 11 Julho 2017

Sepultura


Sepultura+ Equaleft
04-07- 2017
Hard Club

Os brasileiros Sepultura regressaram ao nosso país para uma actuação no Hard Club, trazendo na bagagem a novidade “ Machine Messiah”. Mesmo com o passar dos anos, e já lá vão mais de vinte – o legado construído ao lado dos irmãos Cavalera instala um clima de nostalgia por parte daqueles que se apaixonaram pelo grupo no auge da era clássica e que sempre tiveram dificuldade em aceitar as mudanças de formação, sobretudo a dramática saída de Max em 1996. Contudo, se há algo que os Sepultura nunca poderão ser acusados, é de falta de perseverança. Mesmo depois de perderem o carismático vocalista original (e, dez anos mais tarde, o mais novo dos irmãos fundadores), nunca baixaram os braços e continuaram a batalhar. Essa luta nem sempre foi fácil, mas parece estar finalmente a dar frutos. Em fase de promoção ao disco que muitos vêem como o melhor da fase pós-Max, a banda protagonizou uma actuação poderosa e inspirada, numa impressionante demonstração de vitalidade.
Parte desse entusiasmo deve-se à entrada de Eloy Casagrande, com quem gravaram os dois últimos álbuns. Detentor de uma destreza extraordinária, o jovem músico trouxe sangue novo e despertou nos restantes elementos uma garra que, na posição de veteranos, estava algo adormecida. É certo que os concertos do quarteto nunca deixaram de ser intensos, mas há muito que não os víamos tão animados. Essa confiança reflectiu-se igualmente no setlist, focado no material actual sem esquecer os hinos do passado, sendo que tanto os temas antigos como os mais recentes foram interpretados com pujança. Claro que clássicos como “Inner Self ”, “ Arise”, “Refuse/Resist” ou “Territory” terão eternamente um lugar especial no coração dos fãs, sobretudo os mais velhos que cresceram com eles, mas novidades como “Phantom Self”, “ I Am The Enemy” ou “Resistant Parasites” foram também recebidas com carinho e provocaram reacções bastante efusivas. Na verdade, algumas das malhas dos últimos anos revelam-se perfeitas para serem tocadas ao vivo, como é o caso de “ Kairos”, cujo potente riff inicial leva imediatamente ao headbanging.
Dos temas de “Machine Messiah” que foram escutados nesta noite, apenas “ Sworn Oath” não pareceu soar tão bem, sendo talvez uma música que resulta melhor em estúdio. Por outro lado, foi bastante agradável ouvir o instrumental “ Iceberg Dances”, que permitiu observar a técnica e criatividade do guitarrista Andreas Kisser. Todavia, toda a banda esteve muitíssimo coesa, incluindo o vocalista Derrick Green, frequentemente subvalorizado pela comunidade do heavy metal por ter substituído Max, mas que assinou aqui uma prestação notável.
O concerto terminou de forma apoteótica com a festiva “Ratamahatta” e a enérgica “Roots Bloody Roots”. Uma passagem triunfal de um grupo lendário que respeita o seu passado mas que se recusa a viver nele.
Na primeira parte, os Equaleft provaram novamente que são uma das melhores bandas de metal nacionais ao vivo, tendo protagonizado uma devastadora e apaixonada prestação onde o seu groove metal com laivos de djent – uma espécie de cruzamento entre Meshuggah e Gojira, ou mesmo Sepultura – aqueceu os presentes para o que se seguia. Profissionalismo e amor à camisola, é isto que se pode sempre esperar destes rapazes.