Terça-feira 16 Julho 2013

Paulo Furtado


Mais do que um fato e uns óculos de sol, há um todo de energia musical que lhe corre nas veias, uma mistura de um rock instrumental e uma genuinidade de compositor que se rendem ao mundo contemporâneo da arte. Paulo Furtado, conhecido como The Legendary Tigerman ou como vocalista dos Wraygunn deixa a guitarra por breves momentos e transforma a melodia em palavras… porque estas são fundamentais para que se compreenda o espaço que percorre as notas e a genialidade.

  

J.R: Porquê o nome The Legendary Tigerman?

Paulo Furtado: Bem, o nome vem de uma música do Rufus Thomas, Tigerman… Que é brutal. Acrescentei o Legendary e as duas palavras juntas funcionam como uma capa de super herói, como algo maior que o quotidiano, que a vida normal… porque a música , os concertos, tudo isso, está noutro local, num local de sonho…

Como defines o som que produzes, fora dos paradigmas dos gêneros musicais?

P.F: Bem, não sei bem… Às vezes é rude, às vezes é delicado, às vezes é agressivo, às vezes é ternura, às vezes é raiva… é um bocado como eu..

Começaste com os Tédio Boys, já como compositor e letrista e eis que surge então a ideia de tocar a solo, demonstrando toda a singularidade na bateria, na guitarra e na voz. A par disso, tens também os Wraygunn onde soltam todo o rock and roll que vos corre nas veias… são experiências diferentes e acredito que se complementem e te completem. Mas… como consegues gerir todas as gravações, os concertos e as tours, os ensaios e ter sucesso em ambos? Qual é o segredo?

P.F: Não há segredo… às vezes não consigo… Se juntar a isso as bandas sonoras que faço, os projetos paralelos, a minha carreira como cineasta, às vezes o que se passa é que trabalho de manhã à noite… Acho que é isso. Mas não tenho nada de que me queixar, antes pelo contrario, sinto-me muito afortunado por ter trabalho a fazer apenas o que gosto, sem concessões. É um privilégio, especialmente em tempos tão duros como os que passamos neste momento.

Sentes-te satisfeito com todo o teu percurso? Achas que o teu trabalho tem alcançado o valor merecido?

P.F: Sim,  tenho conseguido alcançar e fazer muitas coisas que há uns anos eram apenas um sonho.. Agora tenho vontade de fazer mais coisas, trabalhar com mais pessoas, chegar a outros países… mas sem pressas.. Sou paciente.  É bom ter sempre vontade de chegar mais longe.

Quais são as tuas maiores influências, para além de génios da escrita?

P.F: Acho que a minha maior influencia é a vida, tudo o que se passa à minha volta, de bom e de mau, e a arte. A Arte Inspira-me muito. E depois inspira a vida. Que volta a inspirar a arte…

Os teus projectos são internacionais, o que é óptimo. Os Wraygunn tem um toque de África e da América e o Tiger Man tem o seu quê de Françês! O que ambicionas para o vosso futuro?

P.F: No fundo só espero que ambos os projetos continuem a ser internacionais, porque isso é muito importante para a sobrevivência de ambos a todos os níveis, mesmo artisticamente. Viajar, ver outros mundos, a estrada, são coisas muito importantes e necessárias até do ponto de vista criativo.

Diz-se difícil viver da música, muito mais num país como o nosso. Achas que é difícil manter a singularidade de cada banda, fugindo aos padrões do mercado musical?

P.F: Bem, para mim não há outro modo de fazer as coisas, portanto não é difícil manter as minhas opções estéticas. Às vezes difícil  é viver delas….

Na tua opinião o que falta ao panorama musical português?

P.F: Acho que só falta haver uma maior internacionalização e mais generalizada, por um lado, e uma melhor qualidade de vida do público  português… As pessoas neste momento escolhem entre comer, ir ao cinema, sobreviver, ou ver um concerto… é difícil.

Paulo, o que é para ti criar música que fique no tempo e na memória?

P.F: Bem, não penso muito nisso, sabes? Só tento fazer o melhor que posso, do modo mais verdadeiro que consigo. Felizmente ninguém pode decidir qual a longevidade do seu trabalho, se daqui a 20 ou 50 ou 100 anos as pessoas vão estar a ouvir a minha música ou a ver os meus filmes  e na realidade, não sei se é assim tão importante… Talvez seja suficiente se uma pessoa,  num dia longínquo no futuro, descubra o que faço e passe um dia divertido de volta disso…

Para quando uma letra em português?

P.F: Já existe… Ainda não editei, mas já existem, há bastante tempo.

Para terminar, há algum conselho que queiras deixar às bandas que estejam a começar?

P.F: Bem, que procurem ser verdadeiros com eles mesmos. E que trabalhem, muito. Tudo o resto não depende muito de nós…

 

Um muito obrigada ao Paulo por toda a atenção e disponibilidade.

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