Sexta-feira 08 Agosto 2014

NAMI


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 Com “Fragile Alignments(2011) no ouvido, ecoam pormenores atrás de pormenores. Muito mais que metal progressivo, é de louvar a dedicação e todo o detalhe com que trabalharam as músicas. Podem falar-me um pouco sobre o processo de criação deste álbum?

Filipe Baldaia: “Em primeiro lugar, gostávamos de agradecer e dizer que é um gosto para os Nami colaborar com o Tympanum. Sobre a composição do Fragile Alignments: o álbum começou a ser composto mais ou menos em 2007 pelos membros fundadores de Aftermars (antigo nome de Nami) e a ideia principal era basicamente unir num só som atmosferas progressivas com sons pesados e extremos. Naquele entanto Nami era uma banda instrumental que queria demonstrar ao mundo aquilo que valia. Após a entrada de Roger as músicas tiveram que ser adaptadas à linha de voz mas foi quase dentro do estúdio que Nami definiu a maior parte do som do Fragile Alignments.”

Como foi a vossa experiência com Jens Brogen? Opeth e Katatonia são excelentes bandas de referência. Há alguma influência da parte delas nas músicas e no vosso percurso?

F.B: “Foi uma experiência incrível. O Jens é uma das pessoas com mais gosto e cultura musical que conhecemos. Ajudou-nos em tudo o que pode e,por uma parte, é graças a ele que o disco tem este som. Deu-nos sempre a opinião mais sincera e honesta e até conselhos para as próximas gravações. Ofereceu-se também a gravar linhas de voz adicionais para melhorar algumas partes do disco… enfim… é uma das pessoas com quem queremos voltar a trabalhar. Opeth e Katatonia foram sem dúvida duas bandas que nos influenciaram (junto com Tool, Isis, Pink Floyd, Radiohead, etc). Still Life, Damnation ou The Great Cold Distance são discos que guardamos na memória e no peito, não só pelo aspecto técnico mas também pela maneira que essas bandas têm de tratar e de cuidar a música.”

Este primeiro álbum demonstra a vossa genuinidade mas “The Eternal Light of the Unconscious Mind” (2013) leva-vos a algo maior, mais maduro. Podemos dizer que toda a alma dos NAMI se encontra na mais verdadeira forma de arte?

F.B: “Com TELOTUM tentamos fazer arte simplesmente por arte. Tentamos ser o mais genuínos e puros que podíamos ser quando o estávamos a compor. Não quisemos demonstrar nada a ninguém nem inculcar nenhum tipo de mensagem, simplesmente tentamos tocar o que éramos e o que sentíamos naquele momento. Somos uma banda jovem e queremos oferecer mais. Sentimos que ainda não chegamos ao que queremos chegar, temos grandes ambições e queremos cumpri-las, tanto na composição como em dar concertos. Pessoalmente acho que Nami só se vai encontrar na mais verdadeira forma de arte quando deixar de procurar essa verdadeira forma de arte e ainda temos muito caminho pela frente e principalmente muito que aprender.”

Como tem sido a reação do público a este álbum? Como está a ser a Iberian Tour 2014?

F.B: “Sinceramente, não sou capaz de definir exactamente a reação do público aos nossos discos. Tivemos críticas, elogios, tocamos com bandas de todo o tipo e com públicos muito diferentes (desde Marilyn Manson até Opeth passando por Adrift, Intronaut ou Leprous). Em cada um dos concertos que damos, temos um publico diferente que reage melhor ou pior à musica que fazemos. Mas para nós o que realmente importa é ter a oportunidade de tocar ao vivo e de estar na estrada a viver e a aproveitar cada momento!

A Iberian Tour está a ser outra grande experiência. Tanto no bom como no mau sentido. Tivemos experiências incríveis, pisamos território Português, estivemos na estrada com grandes bandas amigas mas mesmo assim houve momentos não tão bons. Depois de um concerto com Haken em Madrid avariou-nos a carrinha e tivemos que anular dois concertos, tivemos problemas na fronteira andorrana (Andorra não faz parte da Comunidade Económica Europeia), problemas económicos etc. Mesmo assim, o que importa é aprender com os erros, com as virtudes e com as circunstâncias. É assim que tentamos ver as coisas.”

Com TELOTUM conseguiram abranger mais fãs. Temos a vertente do metal progressivo e do post-rock, sons mais atmosféricos, riffs mais melodiosos, baladas mais negras, estímulos de piano, tudo num álbum muito bem conseguido e ainda mais intenso que o primeiro. Sentem que deram um passo importante ao exporem o vosso inconsciente ao mundo?

F.B: “Sentimos que demos o passo que tínhamos que dar. Nunca pensamos na quantidade de gente que podíamos abranger ou no tipo de música que queríamos fazer. Para nós foi sem dúvida um passo importante, desabafamos parte do nosso inconsciente a quem mais o entende: a música. Fomos mais nós que nunca, e não tivemos nenhum medo a experimentar novos sons, novos estilos, novos conceitos ou novas temáticas. Foi como se o emotivo e a liberdade tivessem sido as personagens principais deste disco. Além disso, não nos fechamos a um conceito como no caso do Fragile Alignments. Escolhemos o subconsciente precisamente para não limitar a interpretação da nossa música nem das nossas letras. Foi isso que fez com que TELOTUM fosse mais intenso e maduro que Fragile Alignments, não haver nada mais livre que a música.”

Já começaram a trabalhar no próximo álbum? Será que vai tender para as linhas mais aprofundadas e melódicas do segundo ou vai de encontro à pureza do primeiro álbum?

F.B: “Sim, já começamos a compor algumas linhas de guitarra mas ainda não temos nada definido. Se eu tivesse que prever algum resultado, diria que o terceiro disco será mais profundo e melódico que o segundo. Mas mesmo assim, não nos queremos fechar nem marcar um estilo, simplesmente queremos fazer e tocar aquilo que sentimos. Para nós a música deve ser uma forma de expressão, algo que dificilmente se expressa com palavras e é isso que tentamos fazer.”

Para quando mais concertos em Portugal?

F.B: “Agora o nosso objectivo é uma tour europeia e para nós Portugal é uma Meca europeia do metal. Temos muita vontade de voltar a terras Lusitanas e de dar ao povo Português a nossa música. O SWR Barroselas foi uma experiência brutal e queremos repeti-la o quanto antes. Infelizmente ainda não temos nada confirmado, mas não vamos parar de tentar.”

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Muito obrigada aos NAMI por toda a disponibilidade.
www.namiofficial.com