Sexta-feira 27 Dezembro 2013

Mother Abyss


Oriundos de Viana do Castelo, os Mother Abyss são uma das propostas mais entusiasmantes do actual panorama nacional, no que à música pesada diz respeito. Com um EP intitulado “Burden” a receber elogios um pouco por toda a parte, fomos conversar com a banda para melhor compreendermos este fenómeno.

São uma banda recente, mas já passaram por projectos como os Burning Man ou The Walking Dead. Como surgiu a ideia de criar os Mother Abyss?

M.A – “Os Mother Abyss começaram numa jam entre o André, o Afonso e o João. A coisa correu bem e decidiram continuar com mais alguns ensaios para ver como corria. Mais tarde eles sentiram necessidade de mais um guitarrista e foi aí que falaram comigo para integrar a banda. Foi um processo muito orgânico e natural.”

Falemos agora da sonoridade que apresentam no EP “Burden”. A nível vocal, é impossível não pensarmos nos Cult of Luna, enquanto que o instrumental denota influências de Neurosis ou Isis. Quando começaram a ensaiar, havia já uma intenção de fazer algo dentro do Sludge/Post-metal, ou foi um processo espontâneo?

M.A – “Na verdade quando começamos a ensaiar tínhamos em mente algo mais stoner/sludge, e de facto as primeiras músicas de MA surgiam dentro desse registo. No entanto um pouco mais tarde decidimos que não era esse o caminho que queríamos seguir, e foi então que optamos por explorar os lados do sludge/post/hardcore, de onde acabou por surgir este EP.”

A capa do “ Burden” é da autoria da Raquel Peixoto. O que vos levou a querer trabalhar com ela?

M.A – “Já há muito que apreciamos o trabalho da Raquel. Quando terminamos o EP achamos que ela seria a pessoa indicada para compreender aquilo que nós queríamos transmitir. E assim foi.”

A nível lírico, há algum conceito que guie os temas? Qual é o fardo aqui discutido?

M.A – “Burden aborda temas pesados e melancólicos. É uma história acerca de um romance trágico, um “fardo” de desespero, morte, raiva e loucura.”

Nos Mother Abyss, a composição das músicas é um trabalho de equipa?

M.A – “Sim, é um processo bastante natural e coletivo. Tudo se passa na nossa sala de ensaio, onde nos juntamos e aproveitamos a inspiração de cada um.”

Afirmaram ter começado a banda com o objectivo de fazer algo diferente, sobretudo em Portugal. No entanto, não receiam que a inovação dentro da música pesada seja muito difícil de atingir hoje em dia?

M.A – “Tentamos ser iguais a nós próprios e tocar aquilo que gostamos de tocar, sem medo de mostrar as nossas influências. Ao dizer que queríamos fazer algo diferente, passa por tentar chegar a sons que pouco tenham sido explorados.”

No que diz respeito ao actual panorama musical no nosso país, o que acham que melhorou e o que pode ser melhorado? E já agora, que bandas nacionais apreciam e recomendam?

M.A – “O panorama musical português, na nossa opinião, a nível de qualidade está muito forte. Há muita banda, nos mais variados estilos a fazer grandes trabalhos. Não posso falar por todas, mas em relação ao que se pode melhorar é certamente o apoio a estes eventos e ás bandas, tanto por parte das entidades culturais como do público.”

O EP de estreia tem sido bem recebido até agora, e a banda bem promovida na imprensa, incluindo em publicações de renome como a Loud! ou a Terrorizer. Esta forte divulgação surpreendeu-vos, mesmo numa era onde a Internet facilita novas descobertas?

M.A – “Surpreendeu-nos claro. Sabíamos que o trabalho estava bom e que íamos chamar a atenção de muitas pessoas. Mas as publicações na Loud! e na Terrorizer foram de facto os  pontos altos e algo que não estávamos á espera. Foi muito bom ver este reconhecimento, dá-nos força e vontade de continuar a fazer música.”

Estamos em Dezembro, altura em que se começa a elaborar listas de melhores do ano. Que discos lançados em 2013 mais gostaram de ouvir?

M.A – “Internacional: Cult of Luna – Vertikal; Deafheaven – Sunbather; Pelican – Forever Becoming 

Nacional: Juseph – Novae.”

Para além da música, o que vos influencia? Por exemplo, outras formas de arte como a literatura ou o cinema, ou mesmo os problemas do mundo que nos rodeia, são também uma fonte de inspiração?

M.A – “Todas as formas de arte, assim como problemas do mundo ou experiências pessoais são fontes de inspiração para nós, no entanto a literatura e o cinema são as mais preponderantes.”

O que podemos esperar dos Mother Abyss para 2014?

M.A – “Entre algumas datas fora de Portugal e outras por cá, temos algumas surpresas a serem preparadas. Vamos fazer por entrar com o pé direito em 2014, e a 25 de Janeiro já nos podem ver ao vivo no Hardclub. Fiquem atentos.”

Um muito obrigada aos Mother Abyss pela disponibilidade.