Segunda-feira 26 Junho 2017

Mastodon


Reportagem: Mastodon e Black Peaks @ Sala Tejo, MEO Arena, Lisboa – 21/06/2017

Trazendo consigo um álbum chegado há poucos meses, “Emperor of Sand”, os norte-americanos Mastodon regressaram a Portugal, cinco anos volvidos sobre a sua última passagem por cá. Desta vez, coube à Sala Tejo, no MEO Arena, acolher a banda.
A primeira parte da noite esteve a cargo dos britânicos Black Peaks. Coincidentemente, a banda de progressive post-hardcore foi criada há cinco anos também, e confidenciou ao público português que já nessa altura ambicionava poder um dia partilhar o palco com os Mastodon. Atuaram durante 45 minutos, que se mostraram bastante intensos.
O vocalista Will Gardner recebeu o público de braços abertos (literalmente) e impressionou com a sua presença em palco e a rápida mudança de registo na sua voz, sem comprometer a qualidade da atuação. O público reagiu de forma bastante positiva, acedendo a todos os pedidos do vocalista e adicionando alguns extras – levantaram os braços, cantaram, fizeram crowdsurf, mosh…de tudo um pouco. “Say You Will” foi referenciado por Gardner como um dos temas preferidos da banda; pela reação do público, o sentimento é mútuo.
Os Mastodon entraram em palco com “Sultan’s Curse”, como era de esperar (a setlist da presente tour sofreu alterações mínimas até agora), e o público ficou imediatamente ao rubro, mostrando que as letras estavam na ponta da língua. Aliás, em toda a sua atuação, foram raras as vezes que não se ouviram os fãs a cantar, mesmo nos temas mais recentes.
À semelhança do que ocorreu na sua última passagem por Portugal (tinham lançado “The Hunter” há pouco tempo), tocaram o seu último lançamento quase na íntegra, trabalho este que parece ter tido grande aceitação por parte do público. Os Mastodon trouxeram mais cabelos brancos (é verdade, a banda já conta com quase duas décadas de existência…), mas energia não lhes faltou. Levámos um banho (dos bons) de guitarra e baixo, e várias foram as vezes que levantaram os instrumentos bem alto, para delícia dos fãs. Apesar de tocarem a um ritmo alucinante, Troy Sanders e Brent Hinds foram estabelecendo comunicação com os fãs – o primeiro lamentou o tempo que demorou até regressarem ao nosso país; o segundo foi apontando várias vezes para o seu coração, gerando euforia na plateia.
Dos lançamentos anteriores, destacaram-se, pela reação dos presentes, “Crystal Skull”, “Colony Of Birchmen”, “Ember City” e “Oblivion”. Por sua vez, do novo álbum, o single “Show Yourself” é, possivelmente, um dos mais catchy, e a verdade é que grande parte da plateia dançou ao som dele (por momentos, esqueceu-se do crowdsurf e do headbanging).
Já a chegar ao fim da noite, em “March Of The Fire Ants”, os músicos e o público deram tudo o que tinham. Mas será que chegava? A atuação parecia terminada, mas o baterista Brann Dailor veio questionar se nos tínhamos divertido, e se queríamos mais. Queríamos pois. Surge o último tema da noite, a emblemática “Blood and Thunder”, que veio acabar com os últimos cartuchos. Os fãs saíram sorridentes e, certamente, esperando por um regresso em breve.