Terça-feira 04 Setembro 2012

Hélio Morais


Os Linda Martini são música. Notas e cordas, batidas e vozes, sentimentos e sorrisos. São tudo isso misturado ao expoente. Expoente esse que nos deixa a par do sonho, por dentro da nostalgia da música.  Um expoente que nos permite ser. Um expoente que nos deixa dançar por entre os acordes soltos e saltar por entre a linha que nos cola à melodia.

Já existem desde 2003 e deram o primeiro concerto em 2005. Algum dia pensaram que iam chegar até aqui, neste longo caminho que leva quase 10 anos de experiências?

Linda Martini – Nunca, de maneira alguma. Só queriamos fazer música um pouco diferente da que fazíamos até então na cena punk-hardcore. Claro que à medida que íamos conseguindo chegar a alguns sítios, começávamos a ambicionar alcançar o seguinte e assim sucessivamente, até hoje; e continuamos…

Não vos vou perguntar quais as influências ou inspirações porque acredito que até uma gota de chuva vos dê aso para produzir. Afinal de contas, a música é isso mesmo… uma mistura daquilo que vos rodeia, com pedaços de cada um, aliada aos sentimentos e vicissitudes, onde o som se vai definindo a par do caminho que lhe quiserem dar. E foi este o caminho que escolheram para Linda Martini. Sentem-se satisfeitos? Acham que o vosso trabalho tem arrecadado o valor merecido?

LM – Sentimo-nos satisfeitos, essencialmente porque temos a felicidade de ver a música que gostamos e queremos fazer, reconhecida por uma série de pessoas que com isso nos dão força para o continuarmos a fazer.

Como definem o som de Linda Martini, fora do paradigma dos géneros e dos estilos?

LM – Rock!

Os fãs são peças imprescindíveis na sobrevivência de uma banda. Não têm medo da reação destes perante uma música nova? Não têm medo de fugir aos padrões “estereotipados” que vos definem, uma vez que os momentos de produção de música são inconstantes?

LM – Compôr não é um processo fácil para os Linda Martini. Sai-nos de dentro. Tudo o que editamos, editamos porque naquele momento gostamos muito. Por isso e ainda que fiquemos sempre expectantes em relação à reacção que aqueles que nos acompanhem vão ter, quando compômos, não pensamos nisso.

A maior parte dos festivais nacionais já pôde contar com o vosso nome no cartaz e já foram imensas as bandas de renome que vos acompanharam no palco. Qual é o vosso próximo objectivo?

LM – Neste momento o nosso próximo objectivo é fazer o próximo disco, para o qual já estamos a compôr e que esperamos poder editar no início de 2013, para festejar os 10 anos de Linda Martini.

Conseguem definir-me, em algumas palavras, o que significa suar pela música?

LM – Significa gostar da música que se faz e no palco fazer tudo por passá-la da forma mais honesta possível, a quem nos vai ver.

Diz-se difícil viver da música, muito mais num país como o nosso, onde o mercado se tornou obsoleto, longe de primar pela singularidade de cada banda. Para mim e pelo que vejo, existe um certo modelo que obriga os artistas a seguir um caminho, caso queiram sobreviver da música. Mas os Linda Martini, experimentais e progressivos, fogem a esses padrões. O quão difícil é manter essa linha?

LM – Não é nada difícil, porque não pensamos a nossa música de acordo com a ideia de comercialização da mesma. Felizmente tem sido recebida por uma massa de gente suficientemente grande para nos permitir continuar a fazer isto de uma forma que já nos vá dando algum conforto financeiro, não significando no entanto que algum dos membros viva exclusivamente de Linda Martini; há gente dos recursos humanos em full-time e agentes de booking, web designers/programadores e escultores/ilustradores em part-time, no nosso Universo.

O ano passado conseguiram encher o recinto de Paredes de Coura, às 18h30 da tarde, onde nenhuma banda nacional o tinha feito. Qual foi a sensação de tocar para um coro estonteantemente entregue à vossa melodia?

LM – Foi inspirador e tocante, ao mesmo tempo. Não há palavras que consigam descrever o que sentimos ali, em cima daquele palco. Talvez agradecimento seja a mais fiel.

Amor Combate foi a primeira música que ouvi e continua a ser das minhas favoritas. Ainda se lembram dos dias em que teceram as suas notas? Como foi escrever esta música?

LM – Claro que sim. Na altura ainda eramos só o André, o Hélio e o Sérgio (que saíu em 2008). Muito pouco tempo depois, juntaram-se a Cláudia e o Pedro. A experiência teve tanto de motivação, por ser diferente do que haviamos feito até então, como de expectativa para saber o que os nossos amigos mais próximos achariam.

O Tympanum defende a música portuguesa e sabe que temos muita qualidade na arte que produzimos. Apoio, união e valor é o que falta aos artistas nacionais. Na vossa opinião, o que falta ao panorama musical português? Acham que a música tem o lugar merecido? Quais os conselhos que deixam às bandas que estejam a começar?

LM – Achamos que a música portuguesa está muito bem de saúde. Nesse ponto, não achamos que falte grande coisa. Faltam é clubes do tipo do Ritz, Hard Club, etc., espalhados pelo país todo. Os Teatros estão sem verbas e por isso torna-se complicado fazer a música chegar a todo o lado. Conselhos, só um: Façam a música de que gostam. E podem ter boas surpresas; nós tivemos.

 Um muito obrigada ao Hélio, em especial, pela sua disponibilidade. 

Websites oficiais de Linda Martini

http://www.myspace.com/lindamartini
https://www.facebook.com/lindamartinirock/info