Domingo 10 Março 2013

Fernando Martins


Heavy Metal… um estilo, uma paixão, um todo que percorre a alma e nos enche de melodia. Distorções pesadas, batidas fortes, sons que se misturam e se completam na voz suada e penetrante por entre o ambiente negro que se compõe à sua volta. Desta feita, trago-vos os WEB, banda de metal do Porto. Mais de um quarto de século a batalhar pelo “todo poderoso”. São isto e muito mais…

Já existem desde 1986, num caminho difícil e intenso de muito amor pela música, numa dedicação constante ao grande heavy metal. Já percorreram o país de norte a sul e já partilharam o palco com inúmeras bandas prestigiadas. Sentem que, nestes 27 anos, poderiam ter feito algo mais? Sentem-se realizados com todo este percurso?

Fernando Martins – Secalhar poderíamos ter arriscado um pouco mais. Nós sempre tivemos a “política” de fazer as coisas quando achamos que é o momento certo e talvez isso tenha feito com que perdêssemos algumas oportunidades, mas também fez com que estejamos no activo há 27 anos. É claro que quando os Web começaram, as coisas eram mais complicadas, tínhamos menos concertos, menos divulgação, menos exposição… hoje as coisas são mais simples nesse sentido. Acho que temos feito tudo o que nos é possível. Quanto à realização, é um campo complicado mas a resposta é positiva. Realizados e orgulhosos por todas as pequenas coisas que conseguimos. O facto de conseguirmos materializar a nossa paixão, os amigos, as viagens, os 4, o facto de pertencermos ao que de melhor existe em Portugal – que é o nosso Underground – desde 86 até à data de hoje… cada vez mais unido. Mas queremos sentir-nos ainda mais realizados nos anos que se seguem.

Quais as vossas maiores influências?

F.M – É pá….tantas! Como “maiores”, desde Black Sabbath, Dream Theater, Slayer, Candlemass, Megadeath, Testament, Overkill e muitas mais. Não podemos dizer que somos influenciados directamente por alguma, mas porque as ouvimos temos a consciência que isso nos influência inconscientemente. Não seguimos um estilo, tentamos compor o que nos agrada, o que nos sai da alma… por isso somos influenciados tanto por bandas estrangeiras como nacionais.

Como é que os WEB definem o heavy metal?

F.M – Definir!!! Bom, eu acho isso quase impossível (risos). Como definir um sentimento? Como definir algo que nasce e faz parte de nós, que é diferente em todos mas que nos une? O Heavy Metal é isso.

Em todos estes anos já carregam o peso e a satisfação do metal. Já contam com imensos projectos, inclusive um tributo aos Tarantula. Se vos dessem a oportunidade de criar, neste momento, um projecto que satisfizesse a vossa ambição, o que fariam?

F.M – Neste momento o nosso projecto é continuar a tecer a nossa teia. Levá-la ainda mais longe. As nossas energias e tempo estão focados nisso, o que não nos obriga a negar algum projecto que apareça que seja motivador para a banda.

27 anos de carreira e apenas dois discos editados… Há alguma razão por detrás disto?

F. M – Esta é uma pergunta recorrente mas que temos todo o gosto em responder. Algumas das principais razões foram o SMO (Serviço Militar Obrigatório) que na altura era de 18 meses e fez com que durante alguns anos os Web tivessem um pouco “desfalcados”, pois quando estava um a terminar era a vez de outro servir a pátria (risos). O facto de na altura gravar algo era muito mais complicado e dispendioso do que é actualmente e as mudanças de line-up criam alguma instabilidade em qualquer banda. Lançamos a Evil Tape e a Promo Tape e participamos em alguns projectos antes do lançamento do primeiro disco e quando achamos que estaríamos prontos para começar a pensar num formato alargado tivemos a saída do nosso vocalista David (RIP) e dos restantes elementos da banda, ficando só eu e o Victor, tendo que começar quase do zero. Foram alturas complicadas para os Web.

Ainda se lembram do vosso primeiro concerto? As borboletas e emoções que sentiram ainda estão presentes nos concertos de hoje em dia? Como foi esse primeiro concerto?

F.M – Nessa altura ainda não fazia parte dos Web, só entrei em 1994, mas foi de certeza, como em qualquer coisa que se quer muito e se faz pela primeira vez, bastante nervosa, emotiva, mas satisfatória. Hoje em dia todos os concertos são especiais e diferentes. Ainda sentimos aquela ânsia de subir ao palco e tocar. O nervoso ainda lá está, se calhar com menos intensidade, pois a estrada encarrega-se de nos tirar um pouco dos nervos antes dos concertos, mas a vontade e a energia está lá toda. Alias, só assim é que faz sentido.

É de muito valor o metal e a música nacional em si. E nestes longos anos é de louvar a evolução deste estilo no panorama e nas gerações mais novas. Que conselhos deixam para aqueles que estão agora a começar uma vida dedicada à música mais negra?

F.M – De facto a evolução é notória. A qualidade da música que se faz em Portugal evoluiu e isso nota-se em grande escala no nosso underground. As bandas estão cada vez mais coesas e com trabalhos mais profissionais.

Conselhos? Podemos deixar o que nos tem mantido no activo estes anos todos, nada mais. Em primeiro lugar é preciso gostar do que se faz e não olhar para isto como uma moda, que não é. O Metal é intemporal e merece todo o nosso respeito assim como todas as pessoas e bandas que fazem parte dele e lutam para que ele cresça. Nunca nos acharmos melhores nem inferiores a ninguém; não baixar os braços às adversidades e lutar sempre. O importante é sermos verdadeiros.

Um muito obrigada ao Fernando e aos Web pela disponibilidade.

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