Quinta-feira 15 Março 2012

Davide Lobão


Davide Lobão, músico desde 2002, já pertenceu aos Chemical Wire e é actualmente o vocalista de uma banda de rock cantado em português já conhecida por muitos e que tem dado que falar: O Bisonte.
Nasceram no final de 2010, na cidade do Porto, e genuinamente abraçaram um rock cru e duro, que  já os levaram a editar dois álbuns – Ala e Mundos e Fundos.
Numa pequena conversa, desvendou-nos um pouco mais sobre o que é esta banda singular do rock nacional.

Porquê o nome O Bisonte ?

Davide Lobão – Havíamos de estar no final de 2009, quando o João me abordou para fazermos uma banda de rock. Na altura fui até casa dele, para ouvir o que ele tinha e lembro-me de ter ficado muito impressionado. No final do ensaio estávamos a conversar e disse-lhe “por acaso tenho andado a pensar e um bom nome para uma banda era Bisonte” ele ficou a olhar para mim meio desconfiado. Mais tarde, quando nos juntámos ao Gui e ao Gualter e quando começamos a pensar no nome para a banda tornei a dizer “nós vamos andar aqui às voltas à procura de um nome para a banda mas no final há-de ser O Bisonte“. E não é que foi mesmo? A nossa escolha também recaiu sobre o facto de ser um animal de grande porte, que se apresenta imponente. Como nós temos o tipo de som que é assim voltado “à cornada”, pareceu-nos completamente indicado.

Como nasceu O Bisonte?

DL – O Bisonte nasceu como quase tudo nasce na vida: numa noite de copos. O João queria fazer uma banda de “rock abrir” mas cantado em português. Pareceu-me o desafio ideal. Mais tarde juntou-se o Gui, acho que estava a dar de fundo o 4, dos Stone Temple Pilots, no antigo Spot, do Centro Comercial Spot. A meio da música (julgo que era a Down, desse disco) o Gui veio, meio de lado, e disse para nós os dois, que estávamos sentados “Como é? Vamos fazer uma banda?” e nós ficamos convencidos. Marcamos ensaio e começamos a experimentar bateristas. Assim veio o Gualter. Já o conhecíamos, de outras bandas e outras andanças. Passado um mês tínhamos sete músicas prontas, que deram origem ao “Ala”, o nosso primeiro disco.

Como caracterizas a vossa sonoridade?

DL – A sonoridade é rock, assumida e orgulhosamente, mas com muita coisa à mistura. Não temos pretensão de estar inseridos em algum estilo específico. Sentimo-nos melhor a tocar rock, com energia, à Bisonte, mas não temos qualquer preconceito em experimentar e de nos aventurarmos por outros campos. Aliás, o novo disco, que está a sair, é uma prova disso. O objectivo é superarmo-nos, a nós, agora de que forma é que isso vai chegar às pessoas é sempre imprevisível.

Que influências tiveram para a produção deste vosso novo álbum “Mundos e Fundos”?

DL – Nós queríamos que o disco soasse o mais orgânico e honesto possível. Não queríamos estar a manipular nada. Para isso a decisão foi imediata. Telefonamos ao João Brandão, dos Estúdios Sá da Bandeira e fizemos uma visita. O conceito do estúdio vai completamente de encontro ao que pretendíamos: processo completamente analógico. Decidimos então gravar todos a tocar ao mesmo tempo, num só take. O disco é isso. Não houve nada gravado posteriormente nem sequer editado. A única coisa que acrescentamos na mistura foi um plate e um delay, algures. O resto é o que a banda soou, naquele fim de semana. O que nos influenciou a fazer isto foi o facto de ouvirmos as nossas músicas, gravadas dos ensaios e soarem-nos melhor que as músicas que tínhamos gravado fora. Isso aliado ao facto de estarmos com os Zeppelin a pairar nas nossas cabeças, fez com que a solução mais lógica fosse gravar em fita.

Quais são as expectativas para esta nova tour?

DL – Nos não sabemos bem com o que contar. A primeira investida, com o Ala, surpreendeu-nos imenso. Tocamos um pouco por todo lado e houve sempre gente a aparecer e a encher as salas. Com esta nova tour esperamos conhecer muita gente nova, divertirmo-nos e darmos sentido ao tempo de mudança que vivemos.

Abriram para os Xutos e Pontapés que já têm 30 anos de carreira e são uns monstros do panorama musical nacional. Como é que surgiu essa oportunidade e qual foi a sensação?

DL – Isto houve um dia que me ligaram, a dizer que era o manager dos Xutos e que vinham tocar ao Porto e que os Xutos queriam que fosse O Bisonte abrir. E entretanto ele pergunta-me “Mas vocês são os bisontes, bisonte? São o quê? É que os Xutos todos já vos conhecem e eu não sei quem vocês são”. Depois de desligar o telefone pensei, honestamente, que tivesse sido o Zé Pedro a sugerir, visto que já nos conhecemos há algum tempo, desde que tocamos com ele no RRW e desde aí que temos uma boa relação. Mas enganei-me. Soube depois, que quando marcaram a data do Porto, havia sido o Tim a surgerir logo O Bisonte. Não fazia ideia que eles tivessem todos ouvido a nossa música. Quando o Tim sugeriu, o Zé Pedro disse que por ele ficava fechado e os outros concordaram. Foi uma oportunidade muito boa para nós. Entramos no Dragão com um pavilhão cheio de fãs dos Xutos, que estavam ali só para os ver. Quando acabou a primeira música e sentimos aquele coro de milhares de pessoas a aplaudir foi muito recompensador.

Não é fácil singrar no mundo da música, muito mais difícil se torna quando cantada em Português. Na tua opinião, quais são os maiores entraves para uma banda conseguir sair do anonimato?

DL – O principal motivo para a complicada ascensão das bandas portuguesas é o facto de Portugal não ter um mercado. Não há uma indústria musical que permita a subsistência de mais que uma ou duas dezenas de bandas (isto sendo optimista). O facto da língua, português, inglês, francês, chinês é um mero argumento para programas de rádio e televisão, ou até para uma conversa animada num café, porque a música é uma linguagem universal e nós ou sentimos alguma coisa quando a ouvimos ou então não lhe ligamos nenhuma. Esse tal “sair do anonimato” é isso mesmo: chegar às pessoas. Apartir do momento em que as pessoas começarem a ouvir a tua música é que ela se torna “real” até aí era apenas um fruto da imaginação. É necessário uma reinvenção constante de tudo que se faz e de dar sempre tudo, porque as nossas vidas dependem disto.

Para onde quer ir O Bisonte?

DL – O Bisonte vai continuar a debandar, com o modo mais implacável que conseguir ter. Não há muito em que pensar. Queremos ser sempre alguma coisa que as pessoas se lembrem, pelos melhores ou piores motivos. A apatia e a passividade são cultivadas, no nosso país, há demasiado tempo. Enquanto nos movermos em Manada não há coisa nenhuma que seja impossível.

Websites oficiais de O Bisonte

Ala Bisonte
O Bisonte Promete