Sexta-feira 17 Julho 2015

Currents


Depois de Lonerism e Innerspeaker, álbuns que introduziram e intitularam os Tame Impala como a última grande cena do psicadélico, os australianos voltam aos discos desta feita com Currents, um dos discos mais aguardados do ano, com 17 de Julho como data de lançamento. Kevin Parker, compositor e multi-instrumentista em estúdio, confessou ao longo deste ano que o álbum em questão seria mais Pop, e a previsão cumpriu-se.
O disco começa com o single já previamente lançado “Let it Happen, música que, de facto, tem tudo de Pop mas dos anos 80, com os sintetizadores ao máximo e que, entre acordes, parece levar-nos a uma dimensão espacial, finalizando com altos laivos de electrónica, cantada com loops de voz e velhos hábitos, com um riff de guitarra pelo meio.
“Nangs” é a música que se segue, com uma duração de pouco mais de um minuto mas cheia de impacto. Mais uma vez, com a entrada dos sintetizadores em cena acompanhados de um baixo potente e uma grande batida. Esta representa totalmente o disco e a mudança de paradigma do grupo ao deixar uma sensação de suspensão total. É música num estado quase molecular.
Passamos, entretanto, por “The Moment” e “Yes I’m Changing”, faixas de pura reflexão. Basicamente, introspecção acompanhada de bons ritmos e mais da mesma sonoridade que percorre todo o álbum.
O ponto de ruptura do álbum dá-se em “Eventually”, onde a banda volta a pôr a distorção ao “barulho’’, com uma entrada ruidosa perseguida de altos e baixos que culminam com um “punch” impactante de verso em verso e com a intitulada palavra “eventually” apresentada com estrondosos acordes soltos.
Segue-se novamente uma curta faixa, “Gossip”, como forma de introdução a “The Less I Know The Better”. Esta última coloca-nos numa pista de dança de décadas anteriores, fazendo lembrar nomes como Bee Gees e Michael Jackon, influências claras do líder da banda.
Entretanto, mais introspecção com “Past Life”, com direito a narração com efeitos de voz a puxar os graves bem acima alternando como já conhecido tom agudo do vocalista num instrumental  deslizante .
Depois, “Disciples”, dá-nos novamente vontade de dançar projectando-nos num salto para “Cause I’m a Man”, tema que também já tinha sido libertado em forma de single, com direito a videoclip.
Facto curioso deste tema, para além do seu merecido destaque, foi a contestação gerado nas redes sociais devido ao teor da sua letra, tendo sido apelidado por muitos de sexista. O autor da canção deixa no ar a justificação de falhas pessoais que se estendem ao sexo masculino com frases como “ Cause I’m a man Woman, It’s the only anwser I got for you”.
Ora, o que para muitos foi interpretado como uma certa forma de machismo também pode para outros ser entendido como um assumir das falhas recorrentes do sexo masculino (fica ao critério do ouvinte).
O álbum termina, mais uma vez, de uma forma curiosamente surpreendente,  com “New Person, Same Old Mistakes” com uma mistura quase de R&B, um tom de espaços quase em forma de Hip-Hop, uma guitarra com sonoridade Country metida pelo meio e mais de tudo que já ouvimos para trás.
Um bom final e um bom álbum para os Tame Impala que têm regresso marcado a Portugal já no dia 20 de Agosto em Paredes de Coura.