Terça-feira 25 Abril 2017

Capitão Fausto


Concerto: Capitão Fausto
Local: Casa da Música
Data: 22 de Abril de 2017

Era o último concerto da mais recente digressão dos Capitão Fausto e à espera da banda lisboeta estava uma Casa da Música carregada de jovens entusiastas, que queriam ver ou, muitos deles, rever a grande paixão da música nacional actual. Devido ao braço partido de Salvador Seabra, o quinteto transformou-se em palco num sexteto adicionando, na bateria, Vasco Magalhães dos For Pete Sake, e diga-se de passagem que a banda esteve super competente nesta experiência de bateria a “3 Mãos”. Em nada o som da banda sofreu. Pelo contrário, até resultou num balanço ainda mais positivo e eficaz, sobretudo nos temas que puxavam um ritmo mais dançante, como “Verdade” ou “Santa Ana”. Foi com “Lameira”, o mega-hino psicadélico que fecha Pesar o Sol que a banda de Tomás Wallenstein, abriu o concerto num ritmo arrastado e de contemplação, como se as teclas estivessem a cumprimentar as muitas dezenas de jovens que ainda se sentavam nos seus lugares. Aplausos fizeram-se ouvir para o arranque de “Semana em Semana”, marcado por uma pose cool e de uma certa classe que os Capitão Fausto gostam de apresentar no presente. Deixaram de ser os jovens rapazes que trouxeram um novo ar ao indie nacional, para se tornarem em homens graúdos que refinaram o seu lado cancioneiro em hinos de verão, plenos de pop solarenga e sorridente. Que o digam os jovens que se levantaram em “Mil e Quinze” para dançar. “Maneiras Más”, marcou um regresso aos ambientes mais psicadélicos e voltou a mergulhar-nos nas ondas relaxantes e sonhadoras de “Pesar o Sol”, sobretudo quando as teclas tomaram conta do tema. Ainda no segundo álbum da banda, demos um saltinho a “Litoral” e ao seu bater de perna, voltando de regresso aos momentos mais dreamy não se fizeram esperar. “Flores do Mal” foi uma gigante viagem pelo melhor psicadelismo que passou pela sala, tudo mergulhado num som quente e em luzes que iam aparecendo de forma intermitente. No público batiam-se palmas sincronizadas com o ritmo que a bateria imprimia. Era uma comunicação já automática entre as partes. Já não há esforço, é o amor pela banda a falar por si. Uma empatia enorme e um prazer que se nota sobretudo nos novos temas. “Capitão Fausto tem os dias contados”, prepara-se para ser um disco que marca uma geração. É uma banda especial até pela forma como, em palco, brincam uns com os outros, dizem piadas e parecem tão humanos como aqueles que aplaudiam de pé e deixavam-se ir pelos movimentos em “Os dias contados”. A festa subiu de tom com um cheirinho ao primeiro trabalho, “Raposa” e “Santa Ana” que se combinaram como um Medley de recordação a “Gazela“, soou os alarmes de festa até aparecer “Amanhã Tou Melhor”, que levantou a sala inteira e tirou qualquer dúvida sobre qual será o maior Hit da banda até ao momento. É impressionante o amor que o público sente com este tema, é algo “que aquece e “faz subir o delírio”, verso que se fez ouvir em “ A Febre” mas que tão bem representou o que aconteceu em “Amanhã Tou Melhor”.  “Morro na Praia”, fechou a primeira parte do concerto com chave de ouro, carregando consigo sorrisos, danças e a questão de se os Capitão Fausto já não são a banda mais importante da música nacional na actualidade.Para o Encore, Tomás Wallenstein veio sozinho, para cantar com o público o inicio de “Alvalade Chama Por Mim”, um verdadeiro romance pela vida que se fez ouvir em peso na sala. Foi bonito assistir ao que aconteceu neste concerto, teve amor, teve magia, teve celebração. De certeza para recordar como um dos melhores dos Capitão Fausto nos últimos tempos. Acabou com “Tem de Ser” e todos os que estavam na sala já esperam por um reencontro.