Quinta-feira 24 Julho 2014

Capicua


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Rita: A “Sereia Louca” tem vindo a provar que o hip-hop português não é limitado e que encontrou outros horizontes. O que é que pensas ter alcançado a nível pessoal/emocional com esta nova criação?

Capicua: “Alcancei mais uma vitória pessoal. É sempre positivo quando traçamos um objectivo e cumprimos, tanto artística como profissionalmente, e um disco junta as duas coisas. Então quando é bem recebido, ainda sabe melhor! Propus-me a fazer um segundo disco, tinha uma visão bastante clara do que queria atingir em termos líricos e musicais e sinto que cheguei lá. Há poucas coisas melhores na vida!”

R: A música “Vayorken” tem sido aclamada por um público vasto, entre ele, pessoas que não costumam “consumir” hip-hop no seu normal quotidiano ou apenas em acto casual. Que significado é que isto pode ter, tanto para ti como artista como para o hip-hop nacional?

C: “Para mim é motivo de grande orgulho. Chegar a um concerto e ver crianças, jovens, adultos e até idosos na plateia, gente de todas as “tribos urbanas”, origens sociais… Acho que isso é muito positivo, porque demonstra que qualquer pessoa pode gostar de um concerto de Rap e que o preconceito, que ainda paira sobre o género, é totalmente descabido.”

R: Qual é o papel do Porto – região, cidade e cultura – no desenvolvimento da tua música?

C: “Primeiro é uma influência na linguagem, no sotaque, nas referências culturais, na identidade… E depois, no que diz respeito ao Hip Hop, acabou por ser uma formação, no sentido em que eu cresci a ouvir Rap do Porto e isso marcou muito a minha adolescência.”

R: A tridimensionalidade da expressão sensorial contida nas tuas músicas dá-nos a conhecer um novo mundo para além das letras: sons, cheiros, toques… Bem como desejos e sonhos que nos afogam numa espécie de nostalgia infantil. De forma transparente, a tua infância tem sido inspiração fundamental até à data para as tuas criações. Qual é o significado simbólico que esse período tem, e porquê o tamanho do impacto em ti como pessoa/artista?

C: “É a altura em que absorvemos tudo o que nos rodeia e em que construímos as nossas bases afectivas e de personalidade. Acho que a música da minha infância (que os meus pais ouviam, mais precisamente os cantautores de Abril) acabou por ter uma grande influência na minha própria música, também ela ligada às palavras e impregnada de discurso. Mas tudo o resto foi muito importante para a pessoa que hoje sou. Sinceramente, acho que se nota que tive uma infância feliz!”

R: Achas que existe alguma espécie de preconceito em relação ao facto de seres uma mulher no mundo do hip-hop, visto que o símbolo masculino é uma realidade mais regular/normal e melhor aceite neste “movimento”?

C: “Não. Acho que o Hip Hop é um meio muito meritocrático e que premeia a qualidade. Não importa muito quem faz, importa mais se está bem feito. Nunca senti rejeição da parte dos meus pares ou do público de Rap. E acho que o Hip Hop não é mais masculino que o Rock, o Reggae ou o Punk, por exemplo.”

R: Que conselho é que deixas aos novos artistas portugueses, no geral, em relação aos seus sonhos e ambições?

C: “Que sejam persistentes, que trabalhem muito, mas tendo sempre em mente que a música serve para sermos felizes. Se não formos fieis a nós próprios e se não nos divertirmos no processo, não faz sentido nenhum.”

Um muito obrigada à Capicua e à Lets Start a Fire por toda a disponibilidade.
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