Terça-feira 04 Abril 2017

Blues Pills


Blues Pills + The Black Wizards
25/03/2017
Hardclub

Depois de terem passado pelo mesmo local há exactamente um ano, os Blues Pills regressaram ao Hard Club, agora com a novidade “ Lady In Gold” na bagagem, para mais uma grande noite revivalista. Antes, no entanto, subiram ao palco os The Black Wizards, que nos últimos tempos têm construído uma sólida reputação como uma das mais excitantes e promissoras bandas de rock no panorama nacional. Bebendo da mesma fonte sonora de lendas como Black Sabbath, Jimi Hendrix ou Janis Joplin (esta última influência é mais evidente na performance da vocalista/guitarrista Joana Brito), o quarteto é exímio na arte de criar boas malhas de rock temperadas com guitarras cheias de fuzz, sendo bastante fácil deixarmo-nos encantar pelo tom genuíno da sua abordagem.
Podem não reinventar o género, mas sabem como explorá-lo, além de que são uma máquina bem oleada em palco, apesar da sala principal do Hard Club não oferecer o carácter intimista que a sonoridade do grupo pede. Contudo, a actuação foi ainda assim bastante eficaz, sendo que é impossível não ficarmos boquiabertos com as capacidades da baterista Helena Peixoto, sobretudo se tivermos em conta o quão jovem é. No entanto, depois de assistirmos ao maravilhoso solo de bateria que terminou o concerto, concluímos que a idade é irrelevante – o que interessa é o conteúdo. A julgar pela reacção do público, é seguro dizer que a banda assinou mais um momento memorável na sua trajectória. Depois de terem cancelado a actuação em Lisboa devido a problemas de saúde de Elin Larsson, havia curiosidade para ver se o desempenho da vocalista dos Blues Pills ia ser afectado. Felizmente para o público portuense, a senhora, mesmo convalescente, esteve em grande forma e exibiu um entusiasmo contagiante.
Durante toda a prestação nunca parou de dançar, saltar ou cantar junto do público, numa interacção notável e que, juntamente com a sua voz quente e poderosa, faz dela uma figura extremamente carismática, uma presença magnética. Na verdade, toda a banda é bastante coesa e, de certa forma, acaba por reunir em palco uma certa energia que parece estar ausente nos discos. Não que estes soem desprovidos de emoção – muito pelo contrário – mas a sonoridade dos Blues Pills é perfeita para ser tocada em grandes salas, precisa da euforia existente neste tipo de ambientes para atingir todo o seu potencial.
Num setlist onde novidades como “Lady In Gold” ou “ Little Boy Preacher” se misturaram com as obrigatórias recordações de um passado recente como “ High Class Woman” ou”Devil Man”,” os Blues Pills souberam proporcionar uma grande festa onde a chama do seu blues rock recheado de soul e funk permaneceu sempre acesa, tanto num momento mais doce e emotivo como “ I Felt A Change” (um breve mergulho num clima de introspecção para recarregarmos as energias) como na viagem ao passado através de “Somebody to Love”, clássico dos Jefferson Airplane. No final, mesmo com a regularidade das suas visitas e das opiniões divergentes – pelo menos entre o público – em relação ao último registo de originais, os Blues Pills não deixaram de protagonizar um serão bastante divertido. Independentemente da nossa opinião sobre a banda no campo criativo, a verdade é que vê-la ao vivo é sempre tempo bem gasto. Só por isso os Blues Pills merecem o nosso respeito.

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