Quinta-feira 14 Janeiro 2016

Blackstar


David Bowie sempre nos habitou à sua genialidade. As suas músicas são intemporais, não ficam esquecidas na imensidão de discos da nossa estante, não pedem momentos especiais. Bowie é um artista tremendo, enigmático e de uma imaginação surreal.

Blackstar não foi escrito para agradar nem para complementar uma carreira de 27 álbuns. Blackstar é um misto de sentimento e de realidade, de um futuro de uma estrela, de uma experiência em primeira pessoa.

Temos um álbum mais digital, baseado no experimentalismo de um instrumental mais denso. Temos Rock and Roll, um quê de Jazz e sons sintéticos à mistura. Temos belíssimos solos de saxofone e vozes de outro mundo.

Numa primeira audição, é um álbum inquieto e desafiador mas os sentidos perdem-se à medida que a música toca. Blackstar demonstra confiança e é inspirador ver como compõe todas estas melodias sabendo que será a sua despedida – as letras e os vídeos são o reflexo de uma certeza nostálgica.

É um álbum compacto, repleto de pensamento e de excentricidade – diria que será a introspecção de toda a sua vida. Há o saxofone em I Can´t Give Everything Away. Há o rock em Sue. Há o enigma em Blackstar. Há o sentimentalismo em Lazarus. Há a melodia em Dollar Days. E há a originalidade de um último álbum extraordinário, de um homem-camaleão que será sempre uma estrela.

“Can you hear me, Major Tom?”

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