Segunda-feira 10 Junho 2013

Black Bombaim


Três mundos de sons. Três rapazes de improviso. Três álbuns de experiências impreterivelmente alucinantes. Um submundo dos anos 70 onde poucos chegam e muitos se perdem. Eis os Black Bombaim. 

Porquê Black Bombaim?

Tojo: Porque precisávamos de um nome quando fomos tocar pela primeira vez. Nunca nos preocupamos muito com estéticas portanto já ensaiávamos quase há um ano sem nome, sem grandes objectivos de tocar ao vivo nem necessidade de ter um nome. Veio à baila Black Bombaim de uma passagem do tema “Amesterdão” dos Mão Morta. Não tem significado nenhum e é um pouco estúpido, mas seguimos com ele.

Quem são os Black Bombaim e como descrevem esse “submundo”?

Tojo: Os Black Bombaim são o Ricardo, o Senra e o Tojo, três bons moços que não tinham nada que fazer às tardes e noites na época do liceu, que se decidiram juntar na garagem de uma mercearia na freguesia de Vila Frescaínha de São Pedro,em Barcelos. Mais submundo que isto, é impossível. Começamos por tocar na brincadeira, ainda mal sabíamos tocar os instrumentos, mas como nunca tivemos vocalista nem vontade de o ter, não tínhamos como objectivo criar canções, e passávamos os ensaios a improvisar e a evoluir com isso, o que nos tornou o que somos agora.

Como caracterizam a vossa sonoridade?

Tojo: Muito resumidamente, podemos dizer que tocamos música rock. Essencialmente é isto, música rock instrumental que repesca ideias de uma altura em que o rock era atrevido, arrojado, psicadélico, inovador. É irônico, que de inovador, o nosso som em 2013, não tem nada.

Que influências tiveram para a produção deste vosso novo álbum “Titans”?

Tojo: Foram as mesmas influências de sempre, apenas tentamos uma abordagem mais trabalhada ao processo de criar e gravar um disco. A ideia dos convidados surgiu de uma noite de copos (como quase todas) com o Joaquim, da nossa editora Lovers & Lollypops. Na brincadeira dissemos que queríamos fazer uma ópera rock.  (risos)

Três álbuns em apenas quatro anos e com eles um salto de gigante. Sentem-se satisfeitos?

Tojo: Claro que sim, a evolução não poderia ter corrido de melhor forma, e mesmo trabalhando ao nosso ritmo, que é um pouco lento, o nível de produtividade até não tem sido mau. O feedback das pessoas também tem sido óptimo, o que nos dá ainda mais vontade de continuar a fazer coisas novas e a editar discos.

Este vosso último álbum é viciante. Muito fácil de se ouvir e de se adorar. Foi difícil chegar a esta compilação?

Tojo: A parte de compor foi fácil, nós já tínhamos maior parte dos “temas” feitos quando decidimos reestruturá-los da forma que estão agora no Titans. Isso é que foi um pouco mais complicado. Estamos habituados a gravar tudo ao vivo, de uma forma quase sem compromissos, portanto estar a gravar a pensar em como os convidados poderiam encaixar nas músicas, ainda sem saber muito bem o que iriam fazer ou até quem iria tocar, e coordenar isso foi um processo bastante demorado e ainda deu algumas dores de cabeça, mas não podíamos estar mais satisfeitos com o resultado.

Sem setlist ou sem “rótulos” nas músicas, fazem transparecer uma facilidade crua em cima do palco. Não é por algum motivo que a música vos corre nas veias. Neste momento, o que desejam enquanto Black Bombaim?

Tojo: Acima de tudo, continuar a fazer coisas novas e tocar ao vivo, que é uma das experiências mais fantásticas e recompensadoras que já tive na minha vida. Gostamos muito de tocar com outros músicos, portanto é um desejo continuar a fazer colaborações. Por falar nisso, nesta próxima edição do Milhões de Festa, vamos tocar em conjunto com os la la la ressonance e estamos a compor para gravar um disco com eles também.

Normalmente assume-se que uma banda sem vocalização se torna mais difícil se ouvir. Mas o vosso caso é a prova viva do contrário. Porquê esta escolha?

Tojo: Acho que foi um caso de preguiça no início, de procurar alguém de fora do núcleo da banda, que venha cantar por cima das nossas músicas, só porque é o normal e o esperado de uma banda. Deixamos passar o tempo e assumimos a banda como era. Também vimos mais casos de vocalistas a estragar bandas do que a melhorá-las, portanto deixamo-nos estar assim.

Para aquelas bandas que ainda estão a crescer, que conselhos querem deixar?

Tojo: Não temos grandes conselhos a deixar, porque nós também somos uma banda pequena que está a começar e a crescer, apenas que ter uma banda deixa de fazer sentido quando deixarmos de nos divertir. (Quase) Ninguém está aqui pelo dinheiro, portanto se não tem piada, não sei que mais tem…

Do vosso submundo psicadélico… para onde?

Tojo: Se for possível, para todo o lado!

Um muito obrigada ao Tojo e aos Black Bombaim pela disponibilidade.

Páginas Oficiais:
http://blackbombaim.bandcamp.com/album/titans
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