Quarta-feira 07 Outubro 2015

Archangel


Max Cavalera é, sem dúvida alguma, um dos compositores mais prolíficos do mundo do metal, tendo recentemente lançado “Archangel”, o décimo álbum de originais dos Soulfly. No entanto, apesar desta extraordinária produtividade e ética de trabalho, quantidade não é sinónimo de qualidade, sendo natural questionarmo-nos se Max não estará a precisar de abandonar o ritmo frenético que adoptou nestes últimos anos (não nos esqueçamos do envolvimento do músico brasileiro em projectos como Cavalera Conspiracy ou Killer Be Killed) e afastar-se temporariamente do estúdio para recarregar as energias criativas. Contudo, após escutarmos esta nova proposta, apercebemo-nos que o ex- vocalista dos Sepultura ainda tem muito para dar. Continuando a explorar os caminhos da música extrema, agora ao lado do filho Zyon (e contando sempre com os serviços do exímio guitarrista Marc Rizzo, o braço direito de Max há mais de uma década), “Archangel” vê os Soulfly a abraçar cada vez mais o thrash/death metal em detrimento do groove metal de influências tribais. Todavia, o conteúdo lírico possui um carácter fortemente espiritual, fazendo recordar a aura de “Prophecy”; versos como “ War in Heaven, Angels Fell” (berrados no início da música que dá nome ao álbum), a inclusão de cânticos verdadeiramente assombrosos e as referências ao Antigo Testamento, como se pode escutar em “Sodomites”, contribuem para a criação de uma intensa atmosfera mística.

Nota-se igualmente a vontade em colaborar com a actual geração da música pesada, sendo que o melhor resultado dessa união encontra-se precisamente em “Sodomites”, uma valente descarga de death metal recheado de groove, que conta com a participação de Todd Jones, frontman dos Nails. “Live Life Hard!”, com Matt Young, a voz dos King Parrot, é outra malha memorável, misturando na perfeição elementos de thrash com um impetuoso registo punk/hardcore.

Porém, há que referir que nem todas as composições (não contando com as três faixas bónus da edição especial, que incluem uma cover da curta “ You suffer ” dos Napalm Death) possuem o mesmo nível de qualidade; no entanto, a brutalidade aterradora de “Deceiver ” e “We Sold Our Souls to Metal” (apaixonado manifesto sobre o metal como estilo de vida) ou ainda a viagem transcendental e com sentimento oriental de “Soulfly X” (somente incluída na edição digipack) são razões mais que suficientes para que voltemos a este álbum várias vezes. “Archangel”, mesmo não sendo uma obra inovadora, é mais um sólido capítulo na carreira dos Soulfly.